A segunda protagonista deste percurso é a Maria*
Maria casou já com quase 30 anos, depois de terminado o seu mestrado e
após 6 anos de namoro com o Diogo*
Um Amor maduro e sereno unia-os, no entanto uma após outra, três
gravidezes se perderam, três sonhos de maternidade e paternidade se
desfizeram como fumo, três lutos encadeados se tricotaram em roupinhas para
bebé…
Maria entrou num buraco negro depressivo, culposo e atormentado…”De
certeza foi porque trabalhei a mil na gravidez do primeiro…como pude ser
tão irresponsável…Foi de certeza o medo da perda que me fez perder o
segundo, não me perdoo a mim mesma por estar sempre amedrontada,
fragilizada… A minha mãe e tias diziam que eu tinha que ser forte, tens
muito tempo pela frente… Quando foi do terceiro, quase morri de
desgosto, só me apetecia bater em mim própria… Então não é que fui
para a praia e deixei-me dormir ao sol, mesmo debaixo do chapéu?…”

Maria encontrou-se comigo para começarmos Psicoterapia e aconselhamento
num processo de recente desemprego, recomendada por uma empresa de RH,
e nada fazia prever que iríamos dar a esta sua história tão íntima e pessoal
(aliás eu costumo dizer que o processo terapêutico é sempre uma aventura…)
no entanto algo de muito subtil me chamou à atenção: Maria estava em Paz
com ela mesma, com as suas três crianças perdidas, com o marido e com o
mundo… Ela contou-me que, após um ano de depressão do luto
conscientemente aceite, fez alguns retiros espaçados algures no Algarve,
entre monges e montanhas e tinha descoberto que só precisava de se
perdoar a ela mesma por se ter julgado tão severamente, por se ter
esquecido que era humana, e portanto sujeita às leis da física, da química e
das aprendizagens da Alma!
Diogo também a acompanhou em alguns desses retiros, e ambos aceitaram
que tudo aquilo teve um propósito maior: Aceitar com Humildade que não
controlavam nada, a não ser os seus próprios pensamentos e sentimentos
com que interpretavam eventos e situações!
Sílvia Morais
e Lotus Zen Mind, Body & Soul
1 comentário
Elda · Outubro 23, 2020 às 09:59
Texto claro q, como leiga, nos leva a uma regressão Foi uma benção ter vc na minha vida Grata