De regresso a Portugal, continuei a acompanhar os projectos de consultoria no Alentejo e em 2007 nasceu o meu primeiro filho Henrique. Um ano e meio depois nasceu o Sebastião. Foi bem complicado e stressante, foram as primeiras crianças da familia e de todo o meu grupo de amigos. Ninguém tinha filhos, e na verdade ninguém compreendia o que era gerir empresas e crianças em casa.
Em 2010 fui convidada pela familia Miranda, na região do Douro, a criar um projecto de vinhos, de onde mais tarde, nasceu o vinho MÃOS. Pelo Douro me apaixonei, encontrei pessoas únicas, uma cultura de vinho tão intensa e uma variedade de vinhas que me deixou encantada. Foi aí que decidi criar, a Maçanita Vinhos, irmãos e enólogos. Aqui começou a minha viagem pessoal. Onde me virei para mim para fazer o que gostava pensando mais em mim. Foi difícil no início, pois não fazia sentido uma família de Lisboa com raízes alentejana vir para o Douro fazer vinho. Foi o meu Cavalo de Tróia, foi a força que precisava para soltar as amarras que tinha desde sempre.
Foi o Douro a minha inspiração para ser mais eu e lutar por mim. Conseguir conciliar a educação dos meus filhos em Lisboa, que por esta altura já eram três pois, aos rapazes, juntou-se a pequena Margarida que nasceu em 2012 e um projecto no Douro, a 400 km de distância, saiu mesmo das entranhas. Mas estava mais feliz que nunca e, na verdade, dormir pouco e fazer muito é algo que me dá mais energia.
Em 2013, chamaram-me para o Algarve, terra dos Maçanitas, de onde o meu avô, o Coronel Maçanita, era nascido e criado.
Agarrei os projectos de consultoria no Algarve, João Clara Vinhos, Cabrita Vinhos, Quinta da Malaca, Quinta do Barradas, Edd´s, e mais tarde o projecto do Morgado do Quintão, com toda a garra. Havia muito trabalho a fazer, no sentido da identidade dos vinhos do Algarve. Tínhamos muito bons vinhos, nestes produtores, mas faltava ADN Algarvio. Daí surgiu a contade de ser impulsionadora dessa mudança, desenvolvi o meu trabalho no Algarve, e tentei ao máximo que as castas e as tradições do Algarve vínico fossem recuperadas. A velocidade e eficiência do meu trabalho estava cada vez mais à prova e sabia que não poderia falhar em nenhum dos sítios, principalmente com os meus filhos. Sentimentos de culpa eram frequentes e uma sensação de ansiedade também. Mas a minha mãe sempre dizia, ” para a frente é que é caminho”.
3 comentários
Marta · Maio 2, 2020 às 21:37
Gostei muito Joana! A tua garra sente-se nas tuas palavras! Parabéns!
Anónimo · Maio 3, 2020 às 21:15
Obrigada
Anónimo · Maio 3, 2020 às 21:44
Parabéns Joana!
Muitas felicidades para a Carreira e para a Família!