As Faroleiras Portuguesas

Agosto é por tradição o mês das férias, o mês das grandes e pequenas viagens, da luz intensa, do cheiro a maresia, das recordações dos amores de verão da adolescência, do sal na pele, e de tantas outras sensações e emoções que fizemos questão de guardar na nossa mala de viagem e seguem connosco vida fora .

E esta poderia ser a introdução para um artigo de ficção, um simples episódio de felicidade, uma história surpreendente, ou simplesmente uma descrição de uma foto tirada com um grupo de amigos, na praia.

Mas não. Esta é a introdução para falarmos de um mundo que também faz parte do fascínio e do imaginário nas histórias de aventuras, mas que supera qualquer boa ficção para viver esse mesmo poder magnífico na realidade .

by Sandra Pimenta

foto da reportagem da publicação Italiana Quattro Zampe

Falamos de Susete Melo, Goreti Oliveira e Ângela Melo. As primeiras faroleiras portuguesas.

Os faróis sempre foram locais de fascínio, quer pela sua localização sobre o mar quer pelo riquíssimo património arquitetónico e científico que lhes está associado. O nome em português vem da ilha de Faros (Pharos) no Egito, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Há milhares de anos que existem faróis por todo o globo para orientação dos navios e embarcações. 
Em Portugal, com uma costa considerável, incluindo as ilhas e a vocação marítima, há séculos que existem faróis, constando que o mais antigo foi erigido em Sagres, no cabo de São Vicente, em 1520. 
Quem quer ser faroleira? Em 2004 responderam três arrojadas açorianas. Suzete Melo, Maria Goreti Oliveira e Ângela Paula Melo, que se inscreveram no primeiro curso de formação de faroleiros da Escola da Autoridade Marítima. 
O arquipélago dos Açores, com 9 ilhas, tem algumas dezenas de faróis e farolins, erigidos nos mais diversos materiais e com altura ou altitudes diferentes. No final do curso para faroleiras, Suzete e Ângela ficaram em São Miguel, e Maria Goreti na ilha de Santa Maria (em 2018 estava em Cascais).

 A vida das três faroleiras portuguesas estão descritas no livro  “As Primeiras – Pioneiras Portuguesas num Mundo de Homens”, da autoria De Luísa Paiva Boléo e de M. Margarida Pereira Muller, convidadas do programa “mulheres.com” na rádio Marginal e também disponível no nosso podcast, aqui em mulheres.com.pt.


Uma vida isolada e de grande responsabilidade foi o que enfrentaram estas mulheres de fibra. No começo a solidão era uma realidade, mas hoje, com a generalização dos telemóveis, já podem contactar com amigos e família, tirar centenas de fotografias ou escrever um diário.
A profissão de faroleiro exige polivalência. Fazem toda a manutenção do farol, desde apertar um parafuso, mudar lâmpadas e outras atividades específicas e ainda todas as funções administrativas, recolha de água ou medição do vento, para além da vigilância e limpeza dos equipamentos.  Podem mesmo ter a seu cargo obras a efetuar nos moinhos e anexos. Há oficinas inteiras dentro dos faróis, para que nada falte ou falhe. Os faróis dependem do Ministério da Defesa Nacional, logo estas pioneiras (e as que lhes seguiram) são militares portuguesas e usam farda. 
Maria Goreti Oliveira já fez 40 anos, é «veterana» e terminou o curso de Ciências Sociais. Outra pioneira ligada ao mar é Olga Marques, a primeira mulher militar a integrar o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). Tem 30 anos e em 2013 tornou -se a primeira militar naquele organismo. Licenciada em Educação Física e mestre em Exercício na Saúde, já foi treinadora de râguebi, mas o seu objetivo foi sempre seguir uma carreira na Marinha. 
Depois de passar nos testes e como já tinha a formação de nadadora -salvadora, candidatou -se ao Instituto de Socorros a Náufragos. A primeira nadadora -salvadora com curso integrada na Marinha Portuguesa.

#creditos As Primeiras de Maria Luísa Boléo e Margarida Muller

Sandra Pimenta @ Mmagazine

Os faróis sempre foram locais de fascínio, quer pela sua localização sobre o mar quer pelo riquíssimo património arquitetónico e científico que lhes está associado. O nome em português vem da ilha de Faros (Pharos) no Egito, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Há milhares de anos que existem faróis por todo o globo para orientação dos navios e embarcações. 
Em Portugal, com uma costa considerável, incluindo as ilhas e a vocação marítima, há séculos que existem faróis, constando que o mais antigo foi erigido em Sagres, no cabo de São Vicente, em 1520. 
Quem quer ser faroleira? Em 2004 responderam três arrojadas açorianas. Suzete Melo, Maria Goreti Oliveira e Ângela Paula Melo, que se inscreveram no primeiro curso de formação de faroleiros da Escola da Autoridade Marítima. 
O arquipélago dos Açores, com 9 ilhas, tem algumas dezenas de faróis e farolins, erigidos nos mais diversos materiais e com altura ou altitudes diferentes. No final do curso para faroleiras, Suzete e Ângela ficaram em São Miguel, e Maria Goreti na ilha de Santa Maria (em 2018 estava em Cascais).  A vida das três estão descritas no livro  “As Primeiras – Pioneiras Portuguesas num Mundo de Homens”, da autoria De Luísa Paiva Boléo e de M. Margarida Pereira Muller, agora editado pela Esfera dos Livros.
Uma vida isolada e de grande responsabilidade foi o que enfrentaram estas mulheres de fibra. No começo a solidão era uma realidade, mas hoje, com a generalização dos telemóveis, já podem contactar com amigos e família, tirar centenas de fotografias ou escrever um diário.
A profissão de faroleiro exige polivalência. Fazem toda a manutenção do farol, desde apertar um parafuso, mudar lâmpadas e outras atividades específicas e ainda todas as funções administrativas, recolha de água ou medição do vento, para além da vigilância e limpeza dos equipamentos.  Podem mesmo ter a seu cargo obras a efetuar nos moinhos e anexos. Há oficinas inteiras dentro dos faróis, para que nada falte ou falhe. Os faróis dependem do Ministério da Defesa Nacional, logo estas pioneiras (e as que lhes seguiram) são militares portuguesas e usam farda. 
Maria Goreti Oliveira já fez 40 anos, é «veterana» e terminou o curso de Ciências Sociais. Outra pioneira ligada ao mar é Olga Marques, a primeira mulher militar a integrar o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). Tem 30 anos e em 2013 tornou -se a primeira militar naquele organismo. Licenciada em Educação Física e mestre em Exercício na Saúde, já foi treinadora de râguebi, mas o seu objetivo foi sempre seguir uma carreira na Marinha. 
Depois de passar nos testes e como já tinha a formação de nadadora -salvadora, candidatou -se ao Instituto de Socorros a Náufragos. A primeira nadadora -salvadora com curso integrada na Marinha Portuguesa.