Pandemia desigual

Pandemia desigual

Até agora, mais de 80% das pessoas que recorreram a medidas de apoio à família foram mulheres, o que revela um gigante desequilíbrio na presença de mulheres nos locais de trabalho e também nos confirma a falta de partilha da responsabilidade parental em pleno ano de 2021. Para conseguirmos perceber melhor este desequilíbrio, isto equivale a 4 em cada 5 pedidos de apoio…

As mais recentes medidas governamentais tentam promover esta partilha de responsabilidades através de um apoio majorado até 100% da remuneração base para as famílias que decidirem partilhar a assistência a filhos entre pai e mãe, em vez dos 66% previstos nas outras situações. Mas será que isto se revelará suficiente para que haja de facto esta partilha de assistência à família?

E o que estará na origem desta falta de partilha?

A Fórmula da Felicidade

por Marta Garcia

Um dos motivos óbvios será a diferença de rendimentos entre mulheres e homens. Segundo a CITE, as mulheres ainda ganham em média menos quase 17% do que os homens. Uma outra razão será também, a questão “psicológica” e histórica da mulher enquanto centro da assistência aos filhos menores….

A verdade, confirmada pelos factos, é que a maioria dos homens ainda sente que dar assistência aos filhos é uma tarefa “menor”. Sabemos que esta realidade estará a mudar, mas a uma velocidade muito aquém do desejável.

Sabemos hoje que esta Pandemia traz como consequência uma discrepância cada vez mais acentuada entre homens e mulheres, e também, infelizmente, uma maior violência associada às mulheres.

Infelizmente está confirmado que existe uma correlação positiva entre a Pandemia Covid 19 que nos obriga a todos ficar resguardados e protegidos nas nossas casas, e a violência contra as mulheres que galopa, o que confirma que para muitas, a casa não é de facto um lugar seguro. A cada três meses de confinamento, mais de 15 milhões de mulheres são atingidas por este tipo de violência.

Existe ainda um crescimento de famílias monoparentais em todo o mundo. De acordo com dados oficiais do PORDATA 2019, em Portugal, mais de 85% das famílias monoparentais são lideradas por mulheres.

Embora todos estes dados fossem já uma realidade antes da Pandemia Covid 19, foram muitíssimo agravados desde o ano passado.

Esta Pandemia, no entanto, fez com que em meia dúzia de meses, nos dessemos conta do que efetivamente é importante nas nossas vidas.

Assuntos como a saúde, a família, rede de amigos e a nossa casa por exemplo, muitas vezes eram colocadas em segundo plano. Houve uma espécie de busca pelo equilíbrio e pelas prioridades em muito pouco tempo. E isso não há dúvida que foi positivo.

Foi positivo também o facto de nos obrigarmos a reduzir a velocidade. Era tudo muito e muito a correr…. De repente tudo parou e fomos obrigados a parar também. Nunca pensámos que o conseguiríamos fazer e de repente cá estamos nós a conseguir…A verdade é que nos adaptamos àquilo que temos de enfrentar. Com tristeza, angustia e sofrimento, mas adaptamo-nos.

Fala-se muito nas consequências psicológicas e sociais da Covid 19 e a verdade é que infelizmente serão muito duradouras, mas a ciência ajuda-nos e diz-nos que nos iremos adaptar e iremos superar isto. Sempre o fizemos e não é desta vez que vai ser diferente.

Marta Garcia

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