Segunda vaga de positividade

Na semana passada tive de ficar em casa durante dois dias com dois dos meus filhos. Aguardávamos o resultado de um teste `a Covid -19 e por isso não quisemos colocar ninguém em risco.

A Fórmula da Felicidade

por Marta Garcia

Esta irá ser a realidade de todos nós neste Ano Letivo. Na melhor das hipóteses (com menos consequências para a nossa saúde). Imensas “bolhas” das escolas ou das empresas a ir para isolamento profilático, fazer testes Covid, sempre que houver febre, tosse ou cansaço extremo (infelizmente estes sintomas podem ser confundidos com uma gripe), ter alguns membros da família em isolamento no quarto…enfim.

O que pensávamos que eventualmente pudesse ter acalmado, neste momento está pior do que nunca. Era obvio e já se esperava, mas há sempre uma réstea de positividade e esperança em todos nós, o que nos fazia acreditar que o pior já teria passado.

Dei por mim a ficar ansiosa de novo, à procura de saber os números de infetados diariamente.

Contudo, a nossa vida tem de continuar. Protegidos, embora expostos, a aprender e a trabalhar, e, já sem perceber que temos outras rotinas em nós instaladas (máscara, álcool, lavar as mãos constantemente, afastamento físico etc.).

Este fenómeno é estudado em psicologia: chama-se adaptação hedónica, ou seja, a nossa capacidade de adaptação a novas situações. Embora isto não signifique que não nos vamos sentir tristes nos próximos tempos, significa que nos estamos a tornar mais fortes e resilientes e que nos adaptámos a novas realidades, sejam elas quais forem.

Por outro lado, somos criaturas de hábitos, em parte porque são esses mesmos hábitos que nos dão a sensação de controlo da situação. Ao encontrarmos uma rotina, reduzimos a fadiga cognitiva de cada decisão que tomamos no dia a dia, o que nos faz sentir de alguma forma mais seguros.

A acrescer a este fenómeno, os acontecimentos negativos que enfrentamos nunca nos fazem sentir tão mal como previmos que nos sentiríamos, i.e, nós somos sempre “exagerados” na forma como prevemos acontecimentos (sejam bons ou maus). Na realidade, passamos por estes acontecimentos negativos melhor do que achávamos que passaríamos. E isto acontece porque quando enfrentamos uma determinada situação negativa apenas nos focamos nela, e quando passa algum tempo já praticamente não pensamos nela porque, entretanto, nos focámos noutras coisas…

Em parte, era isto que me estava a acontecer quando as escolas reabriram e quando regressei ao trabalho presencial.

De repente vejo-me em casa de novo (ainda que por apenas dois dias) e voltei ao estado de espírito do “confinamento”.

Temos de enfrentar esta segunda vaga com mais positividade do que a primeira e com uma maior adaptabilidade, na medida em que, para a maioria de nós é claro neste momento, que esta vai ser a nossa realidade durante largos meses.

Será uma segunda vaga de positividade que precisamos de construir!

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