“Diamonds are Forever”

Indestrutíveis, cintilantes e raros, os diamantes provêm do manto terrestre e são formados por um único elemento químico – o carbono. Mas não nascem belos. Desde que removidos da terra, passam por todo um processo evolutivo de refinamento até ao polimento final que lhes imprime o brilho cintilante e a delicadeza mágica, eterna!  Tal e qual algumas personas que se tornaram preciosamente inesquecíveis.

Mademoiselle Chanel

Gabrielle Chanel, a Mademoiselle, tal como ficou conhecida ao longo de 88 anos de vida, foi uma “dama de ferro”, dinâmica e empreendedora em constante fase de refinamento até se ter tornado na sua marca eterna. Coco Chanel.

Mas como todos, tinha também o seu lado B. Colérica quando ameaçada, corrosiva quando entediada e explosiva quando contrariada. Mas muito mais…

Gabrielle  Bohneur Chanel, nasceu a 19 de Agosto de 1883, na maternidade de um Hospital para indigentes, numa cidade do Oeste de França.

No momento do seu nascimento, como o pai de Gabrielle estava ausente, as testemunhas acabaram por não assinar o seu registo, o que acabou por dar a Gabrielle Chanel, a condição de filha bastarda, que ela abominava e sempre se recusou a aceitar.

Nunca ninguém ousou desmascarar as histórias rocambolescas que ela contava em relação às suas origens.

A verdade é que o pai de Gabrielle era vendedor ambulante de botões, aventais e vinhos, e viajava constantemente, acompanhado pela jovem mãe de Gabrielle que o seguia de perto, deixando os outros cinco filhos entregues á restante família.

Poucos anos mais tarde, num inverno rigoroso, devido às suas fragilidades de saúde, a mãe de Gabrielle veio a falecer.  Albert levou as suas três filhas para um orfanato onde, contrariamente ao que lhes tinha prometido, nunca mais regressou.


créditos Parisienne de Photographie

Ao longo da sua vida, Gabrielle referiu-se várias vezes às freiras que a criaram, da Ordem do Sagrado Coração de Jesus, como “as tias de mãos secas e enrugadas e coração frio e distante”.

Aos 20 anos, Gabrielle começou a trabalhar num pequeno café “La Rotonde”, em Moulins, onde cantava as 2 únicas músicas que sabia. As duas músicas tinham refrões muito parecidos “qui qua vu Côco” e “ko-koki-ko” e foi graças a eles, que os militares que assistiam aos concertos e acreditavam que Chanel seria, tal como ela própria dizia, uma artista, lhe passaram a chamar Côco. Depois disso ,nunca mais ninguém lhe chamou Gabrielle.

Há 3 coisas que são extremamente duras: o aço, um diamante , e conhecermo-nos a nós próprios.

Benjamin Franklin

Foi precisamente nos concertos do “La Retonde” , que Mademoiselle Côco conheceu Etienne Balsan, o filho de um casal  de prósperos industriais. Etienne apaixonou;se por Chanel e convidou-a logo para ir viver com ele no seu sonho recente tornado realidade , uma propriedade que acabara de comprar. Royallieu, um antigo castelo, uma abadia de um convento.

Era o princípio da irreverencia e da transformação.

Chanel detestava as plumas os cestos de fruta na cabeça, como ela dizia, as pirosas rendas, tipicas do guarda roupa feminino da altura …, mas gostava de vestir algumas roupas de Etienne, que era franzino, e por isso lhe cabiam a si na perfeição. Resolveu começar a adaptar trajes masculinos, que a faziam notar pela diferença.

As mulheres que frequentavam Royallieu, eram na maioria artistas, desportistas, e escritoras, as politicamente incorretas da sociedade francesa da altura. Rapidamente se renderam ao estilo de Chanel e passaram a pedir-lhe dicas para os seus guarda-roupa.

Chanel dizia: “construí a minha fortuna a partir daquela malha velha que eu vesti porque fazia muito frio naquela tarde, em Dauville…”

Segundo a sua descrição, estava muito frio nessa tarde e Côco decidiu vestir uma Suéter de “Boy” Capel, como ela lhe chamava, mais precisamente Artur Capel,o seu marido.  Mas também decidiu que não a vestiria pela cabeça. Fez-lhe um corte na frente, improvisando uma gola e um cinto com os retalhos do mesmo tecido, e dois enormes bolsos “para as mãos poderem descansar”. Claro que a roupa lhe caía como se fosse um vestido e esse foi o detalhe importante que parecia mágico, já que aos olhos dos outros a tornava ainda mais feminina.



E assim nasceu o seu primeiro atelier em Dauville, a sua primeira loja. Um sucesso!

No seu atelier, Côco transformava trajes masculinos de materiais considerados pouco nobres naquela altura, em moda feminina, como fez com os tailleurs e as camisolas inspiradas nas roupas dos marinheiros. E a acompanhar as suas roupas inovadoras, revolucionava também toda uma sociedade que a idolatrava e copiava a sua atitude provocadora que se ia tornando numa imagem de marca.Entretanto, em 1914, a guerra explodiria, fazendo com que as damas da sociedade abandonassem as suas mansões luxuosas e partissem para as cidades de veraneio.

A Cote DAzur ainda não era o local frequentado pelos ricos, mas Dauville, sim. Sem os motoristas nem mordomos, os turistas precisavam de roupas confortáveis que permitissem as longas caminhadas a pé. Também era desadequado naquele ambiente, ostentar roupas luxuosas e claro que a etiqueta Chanel serviu na perfeição. Abria assim a segunda loja Chanel, em Biarritz.

Continuou a criar moda fora do guarda roupa. Continuou a influenciar as outras mulheres. Foi a primeira frequentadora da alta sociedade a exibir a sua pele bronzeada pelo sol. Diminuiu o cumprimento das saias que se passaram a usar pelos tornozelos, cortou o cabelo pelo queixo, coisa que só as atrizes faziam ….

Influenciou a sociedade. Ganhou amigos.