O Jardim do perdão

Perdoar pode transformar-se no objetivo de alguém que quer viver melhor, ou pode mesmo vir ser um mundo renovado.

Acima de tudo, é seguramente uma virtude da alma.

Basta um clic e tudo muda; breves instantes, um momento… O Ressentimento desvanece-se e o pensamento enche-se de luz.

O “jardim do perdão” é onde o nosso coração se purifica.

Lyndon Harris

Nasceu em Nova York, Pastor Anglicano, Reverendo da St Pauls Chapel. Assistiu aos acontecimentos do 11 de Setembro com a serenidade e sensatez imprescindíveis a um padre que diz ter um compromisso com Deus e que sente o auxílio aos outros como a sua prioridade.

Nos dias imediatamente a seguir à tragédia Harris converteu a sua Igreja num refúgio para os profissionais da boa vontade, bombeiros, polícias, médicos e psicólogos, assistentes sociais e outros voluntários. 24 horas por dia St Paul’s acompanhava de perto as vítimas da tragédia. E servia cerca de mil refeições diárias.

Lyndon Harris estava demasiado ocupado, mas mesmo assim, a revolta e a desilusão eram emoções que embora não gostasse, não lhe davam tréguas!Este cenário de amor e desespero, ajuda e carência, dádiva e absolvição passou a ser o seu dia a dia até tudo voltar ao ritmo normal.

Passados três anos a vida de Harris tinha mudado e estava agora numa espiral depressiva. Durante os últimos tempos, adoecera, a saúde dos seus pulmões tinha sido afetada pela consequência da explosão, perdeu a casa onde vivia e divorciou-se. Entrou em depressão e passou a sofrer de stress pós-traumático.

Durante os passeios diários, no período de convalescença, Harris não conseguia deixar de reviver memórias de tudo e deixar-se invadir pela mágoa e pela frustração.


“Perdoar não significa esquecer ou ser permissivo ao mal, mas sim espalhar a luz! “

Era preciso parar aquela sede de justiça; só assim poderia construir um futuro!

Mas como é que poderia interromper o ciclo? Um ciclo de gerações que iriam sempre tentar vingar o que ficou para trás e destruiu a vida dos seus familiares, amigos, vizinhos…

O DNA de cada célula do nosso corpo contém memórias herdadas de gerações anteriores.

Sentia-se perdido e desabafava com um amigo ao telefone quando as palavras chave surgiram: …” Harris, e se tentasses perdoar?”

Harris pensou: claro que sim, sou um padre Cristão!

Ligou de volta ao amigo e disse-lhe: “estou disposto a tentar!”Aquele telefonema foi o ponto de viragem da vida de Harris. Foi o clic que antecedeu os breves instantes, o momento em que o ressentimento se desvaneceu e o pensamento se iluminou!

Lembrou-se das palavras proferidas por Nelson Mandela numa dada altura: “Não perdoar é como beber um copo de veneno, e esperar que os seus inimigos morram!”

Claro! Perdoar… Mas perdoar não significa esquecer, ou ser permissivo ao mal, mas sim espalhar a luz!

Lyndon Harris lembrou-se também de uma amiga sua que alguns meses antes viajara para o Líbano envolvida num Projecto solidário de recuperação de vidas depois da guerra civil e que sabia estar de alguma forma relacionado com o perdão. Harris estava melhor de saúde e sentia-se de novo entusiasmado. Resolveu viajar para Beirute.

Ficou encantado com o movimento que implementou em Beirute – “O Jardim do Perdão” que recuperou cerca de 300.000 vidas. Harris regressou a NY e criou a sua própria Organização sem fins lucrativos, mas com objetivos firmes; ajudar a recuperar a paz de cada uma daquelas pessoas que se deixavam consumir pelo mal-estar do ressentimento e da intranquilidade.

“Sem o perdão não existe futuro.”

A ideia não podia ser melhor, o Projecto tomou forma e em NY nasceu o Jardim do Perdão. Em conjunto com psicólogos e assistentes sociais, Harris criou também o Curriculum do Perdão para estudantes do Ensino Secundário e Universidades.

São várias as atividades obrigatórias para quem entra no Jardim do Perdão até atingir o nível “Season of Love” (Estação do Amor),(0 mais alto grau do desenvolvimento espiritual).

Uma coisa é certa, pelos testemunhos de quem já experimentou, e pela descrição de Lyndon Harris, vale mesmo a pena experimentar porque a conclusão não podia ser mais positiva: O perdão é poderoso. À medida que se aprende a perdoar é possível aprender a ser muito mais do que pensamos que podemos ser. Mais corajosos, afetuosos, equilibrados.

O perdão modifica-nos!

Hoje, o Jardim do Perdão faz parte dos programas de estudo e desenvolvimento das escolas dos Estados Unidos e é um Projecto além-fronteiras. NY e Chicago são os locais de maior impacto, mas no Soe-to e Durban, na Africa do Sul ,também já existe uma parceria. Uganda e Libéria também já cultivam o Jardim do Perdão.

Um dos grandes objectivos de momento, de Harris ,é implementar o Jardim do Perdão no Ruanda, em memória dos cerca de um milhão de Tutsis vítimas do Genocídio de 1994.

Harris diz:

O perdão é a mais impopular, mas poderosa arma contra a violência.”

jardim do perdão
https://youtu.be/zB79WedHsLA
“Forgiven, not forgotten” – The Corrs

Ideias para refletir:

Todos os dias proferimos palavras, pensamos e agimos. Naturalmente, algumas vezes esses pensamentos, palavras ou ações tem um efeito negativo para outras pessoas, animais e/ou a natureza; somos portanto, causadores de mágoa, e por isso precisamos tanto de pedir perdão quanto perdoar.

Na lista de doenças psicossomáticas, ou seja, com causas emocionais, lidera a incapacidade de perdoar.

O relacionamento de pessoas que se perdoam mutuamente atinge um nível mais profundo, e menos efémero.

Sandra Pimenta