PREGOS NA CABEÇA

Porque é que as mulheres que gostam de homens complicados perdem a paciência para os aturar?

Amor & Etc

por Margarida Rebelo Pinto

Houve um tempo na minha vida em que me dediquei a homens complicados. Um homem complicado pode ser um neurótico, um inseguro, um eremita, um artista, um recém divorciado, um asmático, um conquistador compulsivo, um menino mimado, ou então não ser nada disto e apenas morar longe, o que torna a relação complicada.

Já dizia o Shakespeare que não há memória de duas pessoas que se amem e não tenham ficado juntas. O amor devia servir para simplificar as relações e não para as complicar, ou mesmo inviabilizar. Porque é que as coisas não são assim na realidade?

O povo latino é um povo sofredor por Natureza: basta ouvir as letras dos fados, dos tangos e dos boleros; tristeza, traição, abandono, sofrimento, lágrimas, desilusão, esperas infrutíferas, mulheres fatais e tipos canalhas, ciúme, culpa e remorso e toda a sorte de sentimentos negativos que só possível encontrar numa relação doentia. O mito do amor impossível, sofrido e desgastado que arruína a vida de uma pessoa é uma espécie de troféu, como se para amar e ser amado fossemos obrigados a penar como condenados, carregando uma cruz, qual calvário do JC enquanto subia o monte Gólgota e a Madalena lhe limpava a fronte ensanguentada. Ora só de dá à morte quem quer e há que evitar este tipo de aventuras amorosas que roubam otimismo, energia, apetite e horas de sono ao comum mortal. Que eu saiba, ninguém fez uma promessa ao Bom Jesus de Braga para sofrer a vida toda. Então, porque é que há tanta gente a sofrer por amor? Porque as pessoas não sabem simplificar.

Homens e Máquinas

Os homens são como os carros: toda a gente gostava de ter um Porsche ou um Ferrari, mas poucas pessoas estão a par das chatices que um carro de luxo acarreta: o selo é caríssimo, gasta imensa gasolina, não raro avaria, e cada vez que vem da oficina, a conta a pagar faz empalidecer um chefe índio.

Margarida Rebelo Pinto

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