A Fórmula da Felicidade

Quando o Diretor Geral da OMS Dr Tedros Adhanom Ghebreyesus afirma que não há forma de regressarmos às nossas vidas “normais” nos próximos tempos e que o mais certo é a pandemia piorar e muito no último trimestre, como é que eu venho aqui falar de felicidade?

Simplesmente não é possível fazê-lo. Neste momento só posso escrever sobre esperança, perseverança, força para lutarmos contra estas nuvens negras que pairam sobre as nossas cabeças.

Muitas vezes falamos de propósito enquanto a utilização dos nossos pontos fortes ao serviço do outro. Ora, como sabemos muitas vezes este sentimento consubstancia-se no nosso trabalho. Como sabemos, existem neste momento inúmeras pessoas desempregadas, o que faz com que se sintam sem propósito de alguma forma, perdidas na medida em que se sentem desvalorizadas e desmotivadas. Este facto origina não só problemas financeiros, como existenciais.

Se porventura se junta a esta questão uma falta de rede de apoio social, temos mesmo que conseguir pedir ajuda, pois o fardo pode ser muito pesado para aguentar sozinhos. Falando agora enquanto mulher sinto que para nós é ainda mais difícil pedir ajuda. Estamos habituadas a ser nós a ajudar, a apoiar, a dar colo, a proteger e a dizer “vai ficar tudo bem, não te preocupes, estou aqui para ti”, ainda que o nosso coração esteja partido e estejamos destroçadas por dentro. Não sabemos sequer como fazer para pedir ajuda. Não nos sentimos confortáveis com este sentimento, com o facto de dependermos do apoio de alguém. Mas temos mesmo que fazer um esforço todos para tentar manter a saúde mental nestes tempos e por vezes isso passa mesmo por pedir ajuda. Isto vai acompanhar-nos por mais um ano provavelmente…temos que conseguir seguir em frente de alguma forma. Com cuidados, responsabilidade, mas seguindo. Não há outra maneira. Vai haver uma enorme subida da taxa de desemprego e vamos entrar numa recessão grave, mas esta recessão foi-nos “imposta”, pelo que será mais fácil recuperar mal haja vacina. Só precisamos sobreviver até lá. O meu conselho, se é que posso dar algum, é tentarem manter o contacto com a vossa rede de apoio. O Homem é um animal social, não sobrevive sem os outros. Precisamos disto como de pão para a boca. Simultaneamente, um outro conselho é o de tentarem poupar o máximo neste momento. Esta é a minha veia economicista…

2 Comments

  1. lúcia Ferreira

    Obrigada Marta por este texto tão bem escrito que retrata o nosso estado a nível profissional, emocional e social.
    Sim concordo consigo, devemos focar-nos no tratamento e alívio destes sintomas e depois da recuperação abraçar com todas as energias a Felicidade que vai chegar.

  2. Ana Margarida Ribeiro

    Marta, bem haja pelas suas palavras que, refletem o que muitas de nós sentimos e por estarmos formatadas para em tudo sermos as melhores guerreiras e vencermos as batalhas em todas as frentes, vamos relevando alguns sinais.
    Que a felicidade seja sempre o mote!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.