“Mama Africa”.

Miriam Makeba

Miriam Makeba 1967 © 1978 Ed Thrasher
Será importante pensarmos em qual será a nossa missão de vida? Será necessário conciliar a nossa vida pessoal e profissional com a nossa missão? E isso fará a diferença no nosso caminho?

Para Miriam Makeba foi importante seguir o impulso relacionado com os seu valores e visão. Vale a pena conhecê-la melhor, através da sua história e missão de vida.

Zenzile Miriam Makeba, nasceu a 4 de Março de 1932 em Joanesburgo, África do Sul, e começou a sua carreira de cantora nos anos 50.

Passou por vários projetos, cantava uma mistura de blues americanos e ritmos tradicionais da África do Sul. Dona de uma voz aveludada mas bem timbrada e poderosa. Era um sucesso nas vendas e tornava.se notável , mas recebia muito pouco pelas gravações e nem um cêntimo de royalties.

Emigrou para os EUA.

Miriam era sobretudo, uma mulher que sabia que o silêncio não lhe servia, não vestia os seus direitos e os dos seus semelhantes.

O seu momento decisivo aconteceu quando foi convidada para participar no documentário anti-apartheid– “Come Back África”, apresentado no Festival de cinema de Veneza.

Assim, depois de ter dado o seu testemunho sobre as condições dos negros na África do Sul , perante o Comité das Nações Unidas contra o Apartheid, o governo de Pretória não foi a melhor e Miriam viu os seus discos banidos do seu país , e o direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade Sul-Africana, forma cassados .

A receção que teve na Europa em contraste com as condições que enfrentava na África do Sul, fizeram-na decidir não regressar ao país.

Foi para Londres onde conheceu o cantor Harry Belafonte que a apresentou ao mercado americano . Os Americanos gostaram dela e das suas músicas. Retribuíram-lhe com agrado, e deram-lhe a oportunidade de gravar mais discos . Miriam foi somando sucessos, à medida que invadia o mundo com as suas músicas.

“Pata, pata”, a canção que fala sobre “a febre de sábado à noite” para ir dançar, em Joanesburgo, foi um dos seus maiores sucessos que a representará para sempre.

Nas letras das suas músicas, liam-se palavras de esperança de que a “sua” África do Sul, em breve viveria dias melhores. Continuou a cantar África e as tradições da sua gente , defendo-as com coerência e orgulho. Cantou em inglês, francês, árabe , shona ,bambara e afrikaans.

Em 1966 dividiu com Harry Belafonte, o Grammy, na categoria de folk com “An evening with Belafonte/Makeba .

Mas a paz e qualidade de vida de Makeba foram interrompidas quando no fim dos anos 60, e a residir nos EUA, Miriam se casou com o ativista político e porta-voz dos Panteras Negras, Stokely Carmichael . Miriam viu cancelados os contratos de gravação e digressões artísticas. Miriam e o marido mudaram-se então para a Guiné. Nos Anos 80, Makeba foi delegada da Guiné para a ONU, o que lhe valeu o prémio da paz Dag Hammarskjold.

Nos seus discursos enaltecia as vozes que se erguiam contra a barbárie, o racismo insensível e devastador , e no final dizia sempre que era preciso perdoar.

Miriam dizia ter alergia a clichés , era religiosa, grata pelo que tinha e pelo que haveria de conseguir e lamentava não ter tempo suficiente para fazer coisas insignificantes.

Depois do seu regresso aos palcos e com o fim do apartheid, Miriam Makeba regressou à África do Sul, a pedido do Presidente Nelson Mandela, que fez questão de a receber pessoalmente . Também na África do Sul participou em dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid e o levantamento do Soweto.

Foi agraciada em 2001, com a medalha de ouro da paz Otto Hann, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas, por relevantes serviços pela paz e pelo “entendimento mundial”.

Miriam continuou a fazer espetáculos em todo o mundo e anunciou uma digressão que durou 18 meses e que encerrava assim a sua prestação nos palcos do mundo.

Nos seus discursos enaltecia as vozes que se erguiam contra a barbárie,o racismo insensível e devastador , e no final dizia sempre que era preciso perdoar.

A 9 de Novembro de 2008, participou num concerto de homenagem a Roberto Saviano, em Castel Volturno, Itália, e subitamente, no palco, sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer na madrugada de 10 de Novembro. Deixou-nos a sua música e revelou-nos a sua missão.

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. art II da Declaração universal dos Direitos Humanos.

Em Joanesburgo, o Makeba Center for Girls, acolhe meninas vítimas de violência sexual, abuso, drogas, e prostituição. Recolhe-as das ruas da cidade e devolve-lhes uma vida digna. Como dizia Miriam Makeba – “As mulheres são o pilar de uma Nação.”

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